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Preservar e Cuidar — a urgência do frio e as noites de geada

  • ecosdoalva
  • Jan 11, 2022
  • 3 min read

Updated: Jan 16, 2022

Nestes tempos de recolhimento, vivemos a vontade de união e solidariedade com quem nos é mais próximo mas também com quem interagimos no dia-a-dia ou mesmo ocasionalmente.


Algumas pessoas gostariam de auxiliar quem mais precisa e não têm meios para o fazer. Contudo, por vezes, mediante formas improvisadas e sem custos, é possível providenciar melhores condições de vida e bem-estar a quem não o consegue por si mesmo.


Se pararmos um pouco e olharmos à nossa volta, observamos que estamos rodeados de criaturas sensíveis, capazes de sentir felicidade, dor e prazer, mal-estar e bem-estar.


E prestar ajuda, na medida das nossas capacidades, é um dom que devemos praticar sempre que possível, não só com as pessoas humanas mas também com os animais que connosco partilham esta aventura planetária da vida terrestre. Com estes, essa ajuda ao nível mais básico, é normalmente menos onerosa e mais fácil de praticar.


Porque também os animais merecem ser ajudados e acarinhados. E é fora das grandes cidades, nas terras onde se vive em maior proximidade com a Natureza e com todas as criaturas animais, que frequentemente esse maior contacto dá azo a uma maior desvalorização do valor que lhes é inerente e das suas necessidades.


Muitas vezes, esse auxílio implica apenas atenção e alguma acção da nossa parte, já que acedemos a um conjunto de mecanismos e procedimentos que lhes são inacessíveis.


Nestes meses frios, em que telhados, estradas e caminhos se cobrem de geada com as baixas temperaturas das nossas noites beirãs, é bem visível que muitos sofrem por falta de abrigo quente e alguns acabam mesmo por sucumbir em situações miseráveis.


Pensando nessas condições trágicas, na nossa vontade de fazer o bem, e também usando os Três R´s da Ecologia e da urgência climática — Reduzir, Reutilizar e Reciclar —, é possível com pouco, fazer muito, por estes seres que nos rodeiam e vivem o Inverno em condições muito mais frágeis do que a nossa.


A criação de abrigos térmicos para gatos, por exemplo, com o aproveitamento de caixas de esferovite, baldes e caixas de plásticos fora de uso, pode ser uma boa acção que pouco custa em termos financeiros. A via mais prática, é o uso de caixas de esferovite descartadas nas peixarias e mercados de peixe, e que são perfeitas para este efeito.



Basta colocar duas caixas do mesmo tamanho uma em cima da outra com o interior côncavo para dentro, com um x-acto fazer um buraco circular em dois lados da caixa — com largura suficiente para uma entrada e uma saída —, e por fim, selar bem a união das duas caixas com fita cola larga.


Embora sejam impermeáveis, é importante que estes abrigos fiquem protegidos da chuva para que o seu interior não fique molhado e devem ser colocados em locais onde os gatos se costumem abrigar, como casas devolutas ou em ruínas. Se for no exterior, providenciamos uma base que as separe do chão e que pode ser um estrado de madeira ou algumas pedras, e uma cobertura que proteja da chuva, que pode ser uma placa de zinco ou de madeira.


O esferovite, sendo isolante, vai protegê-los do frio gélido que se faz sentir.


É também possível revestir a caixa final com plástico ou até com uma caixa de cartão.

Outra hipótese é construir abrigos com medidas adequadas para espaços específicos, usando placas de polipropileno que é um tipo de esferovite que se vende nas drogarias e em lojas de materiais de construção.




Basta cortar as placas em seis partes com as medidas adequadas — duas para a base e o topo, e quatro para as laterais, fazer os respectivos buracos de entrada e saída nas laterais e, por fim, colar todas as partes com cola para esferovite.





É ainda possível pintar estas casinhas por forma a enquadrarem-se nos ambientes onde as vamos colocar, e incluir uns remates que elevem as bases do solo.




Nas minhas férias do ano passado, construí dez dessas casinhas e em algumas deixei até um pequeno terraço preparado no topo, para que aproveitem os dias de sol.




Podemos finalizamos o interior com um mantinha ou cobertor limpo e cortado em pedaços, para maior aconchego - mas é importante que nunca fique molhado.



Afinal, mesmo com poucos meios, é possível ajudar outros seres a terem uma vida significativamente melhor, e espalhar felicidade e bem-estar.


Um Bom Ano de 2022 ! E que as criaturas de bem possam fazer por outras criaturas, o que gostariam que fizessem por elas !



nota: esta crónica é uma adaptação da publicada na Comarca de Arganil, de 6 Janeiro 2022, com o título "Preservar e Cuidar - a urgência do frio e o Natal".



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